os sons do passado e futuro

blowing_in_the_wind

Sou sobretudo o som do silêncio
Do vento que sopra na tua janela
Do zumbido surdo da brisa nas flores
Do estalar dos lábios num sorriso tímido
Sou o farfalhar das folhas
Das folhas pintadas no teu vestido de verão
Sou o som da solidão
Da respiração solitária
Do palpitar do coração
Sou o som do jovem apaixonado
Do suspiro angustiado
Do choro não guardado
Sou o som da sua lembrança
Sou o que te faz lembrar de dias passados
Mas sobretudo
Sou o que te faz sonhar com dias futuros.

o som do silêncio

raindrops

Ela me atirou um bloco maciço de silêncio
E exigiu que eu o carregasse sobre meus ombros

Pensava que o silêncio era um castigo
Mas o que são castigos senão uma forma de nos corrigirmos

É como uma cura pros seus vícios
Uma correção pra sua coleção de erros

Sim o silêncio foi um castigo
Que vem corrigindo os desesperos da minha alma

E nos dias em que as palavras já não cabem mais em meus textos
É melhor que o silêncio cubra também as palavras escritas

Teu silêncio me deu a paz que eu buscava no teu afeto

Ouço agora apenas o som da chuva que lava minha alma
E nem ao menos me recordo o timbre da tua voz

Talvez todo esse tempo tenha sido um sonho pra me tirar da monotonia
Talvez tenha sido a forma de calar as vozes que me perseguiam

O teu silencio me curou
Mais do que curaria o teu amor

E mais uma estação acaba em nossas vidas
E assim se vai mais uma vida levando junto outro amor não vivido.

warning sign

fog

Voltamos aos dias de silencio
Das palavras não ditas
Dos sussurros inaudíveis

Voltamos aquele mesmo ponto
Quando você ia
E eu me perdia

O silencio cobre cada centímetro de pensamento meu
Como um véu de luto
Como um nevoeiro na noite

Seguiremos nessa luta surda?
Nessa disputa por palavras inexistentes
Nessas reticências intermináveis

Ou poderá você me dar um ponto final?
Uma definição depois de anos
Uma exclamação que encerre seu silencio

Não peço um sim apesar de esperá-lo
Peço uma luz para fugir do nevoeiro
Ou ate mesmo uma placa que diga:
Perigo! Não se aproxime!

deadline

Eu sigo aqui
Com o silêncio aterrador
E com a solidão que me escarnece

Sigo esperando uma palavra qualquer
Esperando sempre talvez um pouco demais
Sempre pelo que não deveria

Me esforço pra lembrar
De minha promessa a mim mesmo
E que o deadline se aproxima

Espero que o silêncio não se estenda
Que a dor seja passageira
E os dias breves

Viver em contagem regressiva
É pedir de mais a quem não soube viver

Morrer sem viver
É castigo o suficiente até pra um qualquer

Sofrer sabendo sofrer
E não dar um fim
É burrice suficiente
Mesmo pra um estúpido descrente.

in a darkened room

No silêncio da noite
o calor quase me ensurdece
A angústia da insônia
e das tuas lembranças
Me dão a impressão de estar em coma
No calor fatigante
chego a sentir frio quando lembro de você
Os calafrios que percorrem
Cada parte de minha pele
São um aviso de que essas lembranças
Atualmente, não são bem-vindas
Do escuro do meu quarto
vislumbro teus dias mais felizes
E da minha solidão complacente
vejo você feliz e acompanhada
Mas peço a Deus
que quando estiver nos braços dele
Sonhe estar nos braços meus
Assim como penso em você
Sempre que tenho meus braços vazios.