o adágio da adaga sangrenta

O sangue escorre silencioso
E o sussurro insone some de novo
A adaga sofre ao sangrar minha pele
E o adágio da morte silva em meus ouvidos
Sinto de sobressalto a lamina gelada
Expelida pelo sangue que não escorre mais
Do silencio harmônico e modorrento
Espero que as palavras salvem
As angustias que a adaga sangrenta não me permitiu dizer
Sem pressa ou clamor
Não peço que o tempo passe
Nem que se extinga o sangue que não escorre
Espero com a paz angustiada
Que a adaga sorva o que deveria sangrar
E cure com a lentidão de amores mal vividos
As dores que somente ela sabe curar
A sina da adaga sangrenta
Se encerra sem saber
Se ela seria assassina
Ou a amiga que um coração doente necessita.

o prelúdio da adaga sangrenta

Você se lembra há quanto tempo estamos presos nessa situação?
Eu pouco recordo na verdade onde tudo isso começou
Nossos encontros e desencontros
Mas é idiotice minha te fazer tal pergunta
Já que é claro para mim que você nem ao menos se sente presa a essa situação
Você se quer lembra de que houve alguma situação
O único que continua preso a malditas lembranças sou eu
Você vive sua vida
Encontra seus amores
Vive suas próprias paixões e desilusões
Você ao menos se lembra de que me amou?
Não se faça de desentendida
Eu sei o que você sentia
Eu era exatamente o que você precisava
Na hora em que você mais estava perdida
Eu sei exatamente o que se passa por sua cabeça
Eu fui sua ponte
Por onde você conseguiu sair de pesadelos e voltar a sonhar tranquilamente
Você me procurava
Você me cercou e cravou em meu peito uma adaga
Matou a paz que havia se instalado lá por muito tempo
Me ofereceu o que eu não procurava
Mas quando chegou ao seu destino de paz
Me esqueceu
Disse palavras de adeus
Mas deixou sua adaga cravada em meu peito ainda
Você deixou em mim tudo o que não pôde me dar
E levou consigo tudo o que eu sempre quis alcançar
Hoje se você me encontrar
Eu não passo de uma sombra
De tudo aquilo que sentia anos atrás
De todo aquele entusiasmo e euforia que corria em meu sangue
Hoje me resta esgueirar à procura de noticias suas
Tento te encontrar
Tentando ter o que nunca tive de você
Ou talvez apenas para que você leve embora o que deixou
Aquela adaga sangrenta
Que tentou me marcar a ferro o coração
E que apesar do profundo ferimento, nunca me matou.